terça-feira, 4 de junho de 2013

Se a grande maioria das pessoas conhece alguma coisa sobre esta doença deve-se só ao facto do presidente Richard Nixon ter padecido dela, e que tem algo a ver com o sangue e com as pernas. Embora todas estas presunções estejam correctas, os doentes com flebite sabem bem mais do que isso: que é uma perturbação dolorosa e assustadora que mata sem aviso – em consequência de um coágulo sanguíneo que se aloje numa das veias pulmonares. A designação correcta da flebite é tromboflebite. O vocábulo «trombo» designa o coágulo de sangue que a caracteriza e que representa o perigo primário. Há dois tipos básicos de flebite: a tromboflebite das veias profundas, que é a forma mais grave, e a flebite superficial, que é o tipo de perturbação que aqui vamos tratar. Flebite significa apenas a inflamação das veias, que podem ser superficiais da pele, as veias profundas das pernas. A tromboflebite das veias profundas é uma perturbação em relação à qual devemos ter grande cuidado, porquanto existe a possibilidade de o doente desenvolver um coágulo sanguíneo que tenha acesso directo aos pulmões, caso se desprenda e progrida ao longo do sistema circulatório. Exige habitualmente a hospitalização do doente e o tratamento com anticoagulantes. Todavia, os coágulos que bloqueiam as veias na flebite superficial não têm tendência para se libertarem e progredirem pelos vasos sanguíneos. Por esse motivo, as sugestões que apresentamos destinam-se apenas às pessoas a quem foi diagnosticada tromboflebite superficial e que se encontram sob vigilância médica. São conselhos que pretendem ajudar a aliviar a dor sem recurso a medicamentos, e que tentam evitar as hipóteses de recorrência. Deixe de Usar a Pílula. Quem tenha antecedentes de flebite ou de coágulos sanguíneos não deve de modo algum tomar medicamentos anticoncepcionais orais. A incidência da tromboflebite nas mulheres que usam produtos anticoncepcionais orais é cerca de três a quatro vezes superioras à que se verifica nas que não os usam. Tão elevada percentagem de coágulos nas veias profundas implica que a pessoa com flebite superficial corra um risco inaceitável de recorrência. Dê-lhe Descanso e Calor: A flebite superficial trata-se elevando a perna e aplicando calor húmido. Embora não seja necessário ficar de cama, o repouso, com a perna elevada de 15 a 30 centímetros acima do coração parece acelerar o processo de cura. Habitualmente, a inflamação da flebite superficial desaparece ao fim de uma semana a semana e meia, embora possa demorar seis semanas a desaparece por completo. Conheça os Riscos que Corre. Quando se padeceu de flebite, incorre-se num risco acrescido de recorrência, e esta depende em grande parte das circunstâncias que o doente conseguirá ou não controlar. De um modo geral, é necessário que o doente se encontre numa situação de risco acrescido, como seja no caso de uma intervenção cirúrgica ou de descanso prolongado na cama. Embora não possamos evitar um descanso prolongado no leito após uma lesão ou uma doença grave, certos tipos de riscos – como sejam as intervenções cirúrgicos facultativas – podem evitar-se, no caso de indivíduos de mais idade e propensos a perturbações devidas a coágulos sanguíneos. Deverá consultar-se o médico em relação aos factores de riscos específicos, devendo no entanto ter-se consciência de que a saída do leito e a movimentação ajudam a reduzir o perigo do desenvolvimento de flebite após uma operação cirúrgica. Utilização da Aspirina. Certos estudos levados a efeito sobre a aspirina levam a presumir que as propriedades anticoagulantes deste medicamento contribuam para reduzir os riscos de flebite, ao impedirem formação de coágulos nos indivíduos mais atreitos à doença. Estes estudos aconselham q que se tome aspirina antes de períodos prolongados de descanso no leito, ou em viagem, ou após intervenções cirúrgicas, todos eles tendentes a afectarem negativamente a circulação sanguínea e a aumentarem a possibilidade da formação de coágulos no sangue. Embora se trate de uma recomendação tão simples que se afigura sedutora há quem apresente dúvidas quanto à sua eficácia. Não se tão grande certeza na protecção concedida pela aspirina contra a formação de coágulos sanguíneos e que, mesmo que optemos por a tomar, e porque se trata de um tratamento, o médico deve ser sempre consultado de antemão. Quando em Viagem Faça Intervalos de Desentorpecimento. Está a planear uma viagem de automóvel muito prolongada? Se já sofreu de flebite, lembre-se que as rodas do carro não são as únicas a moverem-se, «Faça paragens frequentes, e desentorpeça as pernas». «E não se limite a parar uma vez por dia, para andar cerca de quilómetro e meio. Pare com maior frequência e ande menos de cada vez.». A finalidade a atingir – prossegue o mesmo médico – é impedir a circulação de se tornar lenta, em consequência de nos mantermos sentados e sem movimento durante longos períodos. Nestas ocasiões, a circulação passa a um estado de menor fluxo sanguíneo, mais propício à formação de um coágulo. Uma Razão mais para Deixar de Fumar. «No caso de várias recorrências da flebite, e caso o médico considere necessário». Devemos deixar de fumar. Existe a possibilidade de termos contraído a doença de Buerger e de esta não ter atingido as artérias». A doença de Buerger caracteriza-se por dores violentas e coágulos sanguíneos, geralmente nas pernas. Relaciona-se directamente com o fumo, e a única cura consiste em abandonar toda e qualquer forma de tabaco. «Ocasionalmente, a doença de Buerger manifesta-se como flebite, e até poderá ser erradamente diagnosticada como tal – circunstância em que a continuação do fumo de tabaco seria extremamente prejudicial à saúde». A probabilidade de isto se verificar é bastante fraca, mas deve considerar-se sempre esta possibilidade quando o médico não consiga explicar a razão dos ataques recorrentes da flebite. «Para além desta, parece não haver qualquer outra relação entre o fumo de tabaco e a flebite». Faça Exercício. « O exercício – e, acima de tudo, a marcha – tende a manter as veias menos cheias». A manutenção das veias com menor afluência de sangue é uma boa forma de impedir a recorrência da flebite, ainda de acordo com o mesmo médico. «As veias constituem um sistema de baixa pressão, e se as válvulas, que, nas pernas, impedem o sangue de refluir em sentido contrário não funcionarem devidamente – como seja no caso das varizes – a única forma de impedir a acumulação do sangue é a prática da marcha». Elevar as Pernas Quando em Períodos Prolongados de Cama. Se sofremos de flebite e formos forçados a um longo período de repouso no leito, devemos elevar os pés um ou dois palmos acima do colchão, de modo a aumentar o fluxo do sangue através das veias». Na cama proceda também a exercícios comas pernas. «Poderá tomar-se aspirina, se assim se desejar, mas não existem estudos concluintes que demonstrem que impede a recorrência da flebite». Use Meias Elásticas para um Maior Alívio. Certos médicos aconselham o uso de meias de suporte muscular para impedir a recorrência da flebite, embora haja outros que não recomendam tal prática. Embora não existam provas documentadas de que as meias elásticas produzem qualquer efeito na prevenção da flebite, o facto é que – aparentemente – aliviam as dores e fazem com que os doentes sintam melhoras. Qual o melhor conselho? Ora, se as meias elásticas nos fazem sentir mais aliviados, usemo-las pois. E se nos fizerem sentir pior, não fiquemos com a ideia de que teremos de as continuar a usar para impedir novas recorrências. Cuidado com as Viagens de Avião. A literatura médica está repleta de descrições de casos de pessoas acometidas de trombose das veias profundas em seguida a uma viagem de avião muito prolongada. Embora ninguém consiga justificar a razão por que isto sucede – a pressão atmosférica no interior do avião, a falta de movimento, a ingestão de álcool, etc. – a situação é tão comum que ficou conhecida como a «síndroma da classe turística», porquanto parece que só muito raramente se verifica com os passageiros da primeira classe, que têm mais espaço disponível. «Viagens longas de avião ou de automóvel, ou períodos prolongados de inactividade parecem susceptíveis de aumentar o risco de trombose», Todavia e no caso dos aviões, é maior a probabilidade de ficarmos muito mais confinados ao nosso assento do que quando viajamos de automóvel. Por conseguinte, se sofremos de flebite, será uma boa ocasião de usarmos as meias elásticas aquando do embarque e de nos levantarmos do nosso lugar de meia em meia hora, para uma pequena volta ao longo da coxia. E, para não incomodar os vizinhos, o melhor será pedir um lugar na coxia.